Eu estava num sonho incrível, daqueles do tipo 007, quando fui despertado por minha mãe. Já era de manhã, e eu perdia a hora de ir para a consulta com o Dr. Louis. Me vesti, tomei o café da manhã e lembrei que eu tinha um pequeno bloco de anotações na gaveta do meu quarto. Peguei uma caneta e ainda a caminho do consultório, fui registrando o tal sonho que mais se parecia com um filme de ação / ficção científica!
O Vip`s Center Shopping tem um lado bem positivo: toca várias músicas da década de 80 – o que, pelo menos para mim, é muito bom. Depois da consulta, por fim terminei de registrar o sonho. Agora eu iria para o banco fazer um pagamento das contas da empresa.
Fila muito pequena – já que o banco havia acabado de abrir. Passava-se um pouco das dez da manhã. Na saída, uma moça estava sentada na escada, atrapalhando um pouco a passagem. Notei que ela não estava passando bem, e busquei ajudá-la. Perguntei se precisava de algo. Por educação, disse que não. Saí de onde estava, em direção à VI Bienal do livro, que acontecia na praça principal da cidade. Mas algo me disse para voltar e ajudar aquela moça. Voltei ao local, e do lado do banco comprei um copo de água para ela. Fui novamente ao banco e ela ainda estava lá. Entreguei-lhe, quando me contou que estava grávida, e aguardava sua mãe chegar. Depois, ela aceitou e agradeceu pela água.
Entrei na Bienal do Livro – que neste ano estava muito bem organizada. Comprei alguns volumes, e quando cheguei no fundo do estande, me deparei com um enorme pôster de Marcos Pontes – o astronauta brasileiro. Era o livro que ele havia publicado, que na época ainda não havia sido anunciado pela mídia. Me informei com o vendedor super gente fina, um japonês que havia, inclusive, participado da abertura e do fechamento dos Jogos PanAmericanos no Rio de Janeiro. Me interessei pelo livro de Marcos Pontes, mas não sabia ainda se comprava ou não. Foi então que ele falou: “Se você adquirir o livro até por volta de uma hora da tarde, você terá um autógrafo do Marcos Pontes”. Eu, surpreso, não sabia sequer que ele se encontrava em Campos. O japa falou que ele havia chegado no dia anterior, e já havia dado algumas palestras. Ok – dei uma volta pela bienal enquanto decidia se comprava ou não o livro, e já não conseguia parar de pensar na incrível oportunidade de falar com o 1º astronauta brasileiro, ganhar um autógrafo do cara e ainda ter a chance de tirar uma foto com ele. Voltei ao estande. “Então vai comprar o livro? Que bom, pois eu já estava guardando as coisas. Vamos logo, que ele (Marcos Pontes) já está passando aqui na frente”. Comprei o livro, e na mesma hora fomos para a frente da praça. Eu, o vendedor gente fina e a Elane, uma garota que conheci na hora, que também estava comprando o livro e que também ficou sabendo de tudo no momento.
Chegou um Fox preto, e parou à nossa frente. O vendedor colocou as coisas dentro do carro, onde haviam três pessoas. Uma mulher no banco de trás, outra no carona e um homem dirigindo. Comecei a olhar para a parte de trás do carro, esperando ver o astronauta sair dali. De repente, é ele quem sai do banco do motorista. Todos estavam apressados, pois teriam que estar ainda hoje em São José dos Campos para uma nova palestra. Foi então que ele nos cumprimentou. E ali estava eu, falando com um dos caras mais incríveis do Brasil: O primeiro astronauta de nosso país a ir para o espaço sideral. Rapidamente olhei em volta, esperando ver o tumulto causado quando uma celebridade surge assim, de repente. Não havia ninguém olhando. Tiro minhas conclusões de que, muitas vezes, as pessoas mais importantes e ‘reais’ não são levadas a sério. Imagine você, se daquele carro aparecesse um Justin Bieber ou um grupinho de pagode, ou até um Parangolé da vida. Todos iriam querer tirar fotos e pedir autógrafos. Ao menos para mim e para a Elane, estar com um astronauta brasileiro é muito mais importante e gratificante. Marcos Pontes autografou o livro da moça, e o meu logo em seguida. Fiquei ali, pasmo, em frente ao carro, vendo ele escrever na contra-capa do livro, com as próprias palavras, o meu nome e uma frase de motivação para a vida. O nome do livro é: É possível. Pois digo a você, leitor, que não havia nome melhor para se colocar naquele livro. “Juntem vocês agora para tirarmos uma foto” – para a surpresa de todos, foi a própria assessora do astronauta quem disse. Agora estava registrada essa minha incrível façanha. Apareceu um guarda, pedindo para que o carro fosse tirado dali. E então ele disse “Senhor, por favor, poderia retirar o seu carro do local para dar passagem... mas o senhor é o astronauta, não é??” inclusive o guarda se surpreendeu em ver ali, bem à sua frente, aquele rapaz. Todos estavam com muita pressa. Nos despedimos, e eles seguiram o próprio caminho. Fiquei conversando ainda com a Elane e com o vendedor, ainda orgulhoso do que acabara de acontecer. Até o guarda entrou na conversa, muito surpreso.
Tem dias em que nos surpreendemos. Nunca eu, Antônio Ivo, imaginava que isso seria possível um dia. Não ao menos desta forma, sem programação nenhuma para o fato. E depois deste dia, vejo que, realmente, os nossos sonhos são possíveis de se realizar. Sou católico, e cristão como muitos. Hoje, eu vi com meus próprios olhos a ação de Deus em nossas vidas. Você tem algum sonho a se realizar? Digo para você: Não perca as esperanças em momento algum. É possível. E quem sabe o seu dia chegará quando você também menos esperar.
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