quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Home sweet home !


As vezes ainda me pergunto do que fui capaz de fazer. Sair de total conforto para uma vida que não tinha a menor idéia de como seria. Mas não me arrependo nem um pouco de ter feito isto. São lembranças boas que ficam marcadas. Naquele dia 19 de Maio completei 18 anos – saímos de Pelotas eu e minha mãe. Pegamos o táxi até a rodoviária. Um frio bom. O sol começava a raiar. Pegamos o ônibus para Porto. De lá, direto para o aeroporto – e aí sim foi irado. UHAUHASHUASH.
Falo assim por que quando tu andar de avião saberá do que estou dizendo. Pra começar por estar dentro do aeroporto, já é algo surreal – é que eu também me amarro nessas coisas de aeromodelismo, e aeronaves em geral. Tirei boas fotos. Pegamos o vôo depois do almoço – que nem foi almoço, só foi um lanche. A gnt entra por um corredor e quando vê já está no corredor dos assentos, dentro do avião. Ele então manobra pela pista do aeroporto, e se prepara para decolar, Há uma autorização da torre de controle. E então, parece que ele alcança de 0 a 120km/h em menos de um segundo – sim, os corpos são lançados contra as cadeiras – tipo velozes e furiosos quando aciona o nitrox II, HUASHUASUHSAH! E a velocidade só aumentava – olhava para os lados e via tudo passar numa velocidade absurda – e tudo tremia, pois ainda estava em contato com o solo. Quando tudo fica mais calmo, ele perdeu contato com o solo e decolou. Porto Alegre já havia ficado para trás. O avião – as asas balançavam! Eu nem sabia que era dessa forma. Achei que fosse algo estático. Subimos com o céu nublado, e poucos minutos depois alcançamos a altura boa, sem nuvens. Céu incrivelmente azule limpo, e um forro de nuvens bem abaixo de nós. Lá por São Paulo, nuvens carregadas de mais. Entramos nelas, e o resultado: Turbulência forte. Das boas. Quando passou, já avistava-se o Rio abaixo de nós. Aquele dia não dá para esquecer. Foi um dia incrível – e quem diria, o dia que eu estava voltando para minha casa. O “carioca”, como ficou conhecido no rio grande do sul, havia, enfim, voltado para sua terra ;)

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Dentro de mim, não era aquilo que eu queria. Por mil coisas. O clima era semelhante ao dos states, e aquilo me deixava entusiasmado – um dos meus sonhos é conhecer os states. Com isso, você saía ao sol de outono e inverno sem transpirar nem se queimar. Usava óculos escuros mesmo de casaco – é, aqui pelo Rio é impossível algo assim. Por lá, as mulheres eram incríveis – sem brincadeira. Se você já ouviu em algum lugar que o Rio Grande do Sul é terra das mulheres mais bonitas do país, quando for pra lá verá que talvez essa frase esteja realmente certa. Pelo lado pessoal, eu estava realizado, e pelo lado profissional, estava arrasado. Complicado, hein? Eu não sabia o que fazer, mas sentia que naquele momento, eu ainda não estava qualificado a viver sozinho estudando meteorologia. Nada que me impeça de retornar alguns anos mais tarde, mas naquele momento eu sentia que a coisa estava se complicando cada vez mais para mim. Eu comecei a me largar, digamos assim. Fiz coisas a noite que nunca tinha feito antes – isso ainda com 17 anos. Se continuasse nesse ritmo, poderia não me dar bem alguns anos mais à frente. A família é, sem dúvidas, a base de uma vida saudável e feliz. Mas se você ainda não descobriu isso, não se preocupe.. nada melhor do que experiência própria para descobrirmos e aprendermos com a própria vida ;)

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O curso não colou. Claro que não só eu estava achando complicado aquilo tudo, sem contar morar sozinho com 17 anos ainda – cara, é complicado. Pode parecer que não, mas acaba sendo sim. Ta certo que era decretado o segundo curso mais difícil do Brasil para se concluir – só ficava atrás de Astronomia. E isso eu posso afirmar com absoluta certeza: TODOS que entravam não tinham a menor idéia de que o curso é de tal forma. Estou escrevendo esse texto meses depois que voltei, e já vejo que muitos outros já desistiram – continuaram por lá, mas estão fazendo alguma outra coisa. Por duas semanas, estive mais perdido que uma agulha num palheiro. Era eu comigo mesmo. Por mais que eu trocasse idéias com qualquer amigo que eu tivesse feito, eles não saberiam o que se passava em minha mente – não sabiam nem a casa – a boa casa – que eu morava no estado do rio, e que havia deixado toda essa vida pra trás, e chegar lá e me deparar com um curso que se você não ficar 25h por dia estudando, a barra pesa e vc simplesmente não avança. Saindo do r.u em mais um daqueles dias bonitos, pensei por uns cinco minutos. Sozinho. Peguei meu telefone celular. Disquei o número da minha mãe. E foi então que eu disse: “Mãe, está muito difícil para mim. Troque uma idéia com papai. Acho que vou voltar”.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Linhas paralelas


Lembranças podem ser definidas como aquelas brisas de beira-mar no solstício de verão. O que restou do Rio Grande do Sul em minha memória foi tudo de bom - Aqui a ordem já não importa, o que vier na cabeça vou digitando – lembro das andanças pelo campus universitário, inclusive por aquele bosque escuro e sinistro em um dia de outono bem puxado; ou então as idas nas bibliotecas do campus, ou nem do campus da UFPel, de outra universidade mesmo – que sempre terminava em altas risadas – e aquelas vezes que levantava em baixo de frio e chuva para encarar uma aula de IPD com um prof meio crazy? Ah, claro, a faculdade só tinha professores meio faltando parafuso na cabeça – UHAUHAUHA.


Saídas pra barzinhos, festas promovidas pelos outros cursos da faculdade, festas do nosso próprio curso – era tudo de bao. Idas ao ginásio de noite, depois do jantar, para assistir as meninas jogando futebol – e sair de lá correndo sobre um espetáculo de raios e relâmpagos que anunciavam a incrível tempestade que estava para cair – ah, e caiu. Pegamos chuva, e eu não sei como não pegava uma pneumonia, ainda bem. Ficamos embaixo de um disjuntor daqueles de poste, que fazer até barulho – no meio dessa tempestade, conversando numa boa, e só depois que fomos reparar no risco que corríamos – e corríamos muito, pela falta de tempo – ou para correr das tempestades. Nesse dia corremos pra dentro da praça – sim, a noite ela fica escura e só tem marginais por lá, mas e daí? Se eu quiser farrear, tomar todas num bar, sair pra namorar, o que é que tem? Era realmente tudo muito bom – e algumas coisas ruins, é claro, mas comparando com as coisas boas, elas que se destacavam. Uma das únicas coisas ruins era morar longe da família – principalmente nos fins de semana. O que substituía esse vazio eram as reuniões lá em casa para estudar – ou farrear – UAHUHAUHAH.

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Viver em Pelotas era completamente diferente. Primeiro, morando sozinho em um apartamento, bem no centro. O clima era subtropical, que alternava de dias completamente ensolarados e limpos a chuvas torrenciais. A temperatura era amena, mesmo com sol não ultrapassava os 25º (isso já era considerado como um ‘inferno’ por lá, HUAUHAH). Amanhecia tarde: por volta de 6:30am era que o dia começava a se mostrar. Frio. A torneira não tinha aquecedor, portanto a água que lavava-se o rosto de manhã era aquela água gelada, ‘booa’ pra acordar mesmo. Neblina. Uma vez saí de casa sussa, e ali embaixo, na rua, vi que realmente a previsão havia se confirmado: 8º. Nesse dia teve até uma geada, fraca mas teve. No caminho, dava para ver que a grama tinha ficado azulada (principalmente a do campo de golf que ficava em Capão do Leão - bem perto do campus 

A ida e a volta para a faculdade era sempre uma farra só. É, porque era um ônibus que praticamente só tinha universitários. O ‘azulzinho’ pegava e deixava o pessoal ali no centro, há umas três quadras de onde eu morava. O centro era movimentado, mas não tem shoppings centers, o cinema é bem modesto.. mas o bom é que ali era o ponto de encontro de todo mundo da universidade.

Ela é diferente, ela é engraçada, é inteligente - só não é minha namorada

Era uma manhã de sol, tudo estava bonito como em uma bela manhã de verão, e a primeira aula do dia seria no prédio 41 – esse era o prédio mais afastado do campus. Na verdade ele ficava logo antes um pouco da entrada do campus, daí a gnt tinha q vir andando um bom pedaço até chegar – e ainda encarar aula de física. Achou q fosse pouco neh, USHAUHSUAHS.

Daí foi nesta manhã q eu estava lá com o pessoal da minha sala ali na frente desse prédio 41 (q de prédio, obvio, era só o nome). Tinha uma cobertura de palha ali e um tronco deitado na grama que era onde o pessoal ficava esperando aquele professor peruano chegar com uma mochila que era quase do tamanho dele. E então chegou uma colega trazendo uma outra q eu não tinha visto ainda – loira, cabelos longos, lisos, olhos marrom escuro, carinha de sono e com blush nas bochechas – e ficou ali sentada em uma parte bem pequena que batia o sol. É, pq fazia um frio esperto naquela hora – hahah, umas 8h da manhã. E foi na fila que eu fui então conversar com a menina misteriosa, que quase não falava com ninguém mas que gostava de observar tudo a sua volta. Talvez ela fosse feliz por fazer isso, já q falava apenas o necessário nas horas certas. Se um dia você tiver a chance de encontrá-la, terá a certeza de que ela é diferente – não se apega a revistas de conversinhas de pessoas famosas, mas sim a um bom livro como “A cabana”; sem contar que por trás de toda aquela insegurança do início, ela é uma das daquelas que sabe sorrir e contagiar os que estão a sua volta com um olhar sincero e feliz. Comemos juntos naquele dia, e depois encontramos um pessoalzinho bacana e ficamos ali na cantina universitária, vendo fotos de nem sei mais oq – das cidades de cada um – pela net.

Todos os dias ela sempre era a mesma pessoa. Até que um fds me chamou para ir no show de Pixote, e foi o show que fui de ultima hora. “Antoniooo, vai la no calçadão na farmácia ‘mais economica’ comprar teu ingresoo, daí vamos no show hjee’ – fomos eu, ela e uma amiga q eu não conhecia – kkk. Nos encontramos no tal lugar combinado, mas em vez de pegar um ônibus e ir de vez, naao, tinha q ter algum imprevisto antes, senão não teria graça ficamos andando por umas ruas escuras lá só pra chegar num bar q ngm conhecia – so a amiga dela – q dizia q era mais barato e etc – e chegamos la e a desgraça estava fechado. E voolta pelo mesmo caminho, e sobe rua, e desce rua, e passa pela praça escura, e ta blz. Um baaita frio lá no lugar do show, isso antes de entrar, na fila ainda. E fica todo mundo junto p aquecer – e ela devia estar acostumada, o carioca era eu – sim, o carioca que nunca pegava um frio bom ;)

Quando dizemos se algo é bom ou não, levamos em conta o nosso ponto de vista. Com o tempo a gnt vai vendo que quase tudo de bom acontece para nós por que queríamos que tivesse sido assim. O lugar era legal, mas o ambiente era meio pesado – muita gente estranha e aglomerada, e a insegurança batia. Mas não era isso no que queríamos nos concentrar. Mas sim no show, até porque de que adiantava prestar atenção em tanta gente desconhecida à volta se bem a frente havia quem realmente nós conhecíamos e fazia de nós uma companhia, certo? ;)

Fiz dela uma amizade muito boa, daquelas que a gnt ve e já vê motivo pra contar piada só p fazer rir e depois a gnt rir da risada dela , kkkk. Lembro de um dia que eu tinha acabado de chegar, e ela falou pro cachorro q tava por ali brincando “Aíi, olha quem chegoou, vai brincar na perna dele agora” :P eauehuehuehe

O tempo que fiquei com ela foi muito – muito pouco. Durou exatamente duas semanas. Aquele curso não estava agradando muita gnt. Aprendemos que meteorologia não era só mapas coloridos e radares, mas muita base de calculo e física aplicada. E morando longe de tudo e de todos os familiares, como que seria isso? Entendi o que ela sentia, o curso não foi o que ela esperava que fosse - Nem mesmo para mim.

Era uma manhã de sexta, e parecia ser bonita igual à aquela primeira manha de conversa que tivemos. Mas muito pelo contrário. Era bem diferente agora. Eu não tinha mais a Tamires junto de mim